terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um Banho de Lágrimas.

Voltar a home de Unidda Terceirizaçao

"-Unidda?"
"-Bom dia, moça. É que meu pagamento veio errado."
"-O senhor já pegou seu holerite?"
"-Ãhn? Ainda não..."
"-Deve ser por isso, então..."

Ou:

"-Unidda?"
"-É que meu Vale Transporte ainda não caiu."
"-Mas são cinco dias úteis, senhor."
"-Então! Cinco dias, é hoje!!"
"-Deixa eu dar uma olhada, só um momento. (...) Vai cair hoje, até o final do dia."
"-Mas ainda não caiu!!!!!!"
"-É que ainda não é o fim do dia. O fim do dia, pra mim, é até as 23h59."


***


Todos os finais me machucam. Eles me causam dor, eles me ferem. Toda e qualquer intensificação de sentimento passa por mim, de uma forma ou de outra. As mudanças me são cruéis, mastigam minha sensibilidade, pegam-me desprevenida e me deixam ali, jogada, à mercê do que quer que seja. Até eu adquirir novas forças para levantar, para superar, para lidar com o que me foi imposto.
E naquela sexta-feira eu me vi de cima, vi outra de mim caminhando, como se eu fosse mera espectadora. Assistia à cena com apreensão e lágrimas. As mesmas lágrimas que estavam na outra de mim, que caminhava ouvindo alguma música. Queria lembrar que música era, mas devo ter bloqueado (Freud, maldito, suma daqui!). Enquanto ela-eu caminhava para longe de uma etapa fantástica de sua-minha vida, indo embora neste "pra sempre", um turbilhão de sentimentos e pensamentos se mesclavam em minha mente e em meu peito. Ela-eu tinha noção do que ficava para trás, cada vez mais longe e abrir mão de tudo o que foi conquistado foi extremamente doloroso. As lágrimas caíam, no meio da rua. Uma a uma, duas a duas e, então, um monte delas. Um banho, lavando todo o meu rosto. Ora um soluço, ora um sussurro. A voz embargada, um nó na garganta, um sentimento de "Eu fiz o certo?"... Uma hora a dor ameniza, vai embora, eu sei. O presente é sofredor, porém a nostalgia que segue é boa de degustar. Lembrar com saudade e um sorriso... Nada pode ser melhor!


***


Foram sete meses. Nem muito, nem pouco. Mas sete meses que valeram por uma mini vida. Por tudo o que eu aprendi, a como agir e como não agir, pelas histórias mais diversificadas, por acordar cedo e dormir tarde. As situações mais emocionantes, divertidas e constrangedoras. Foram lá que eu vivi. Foi lá que eu aprendi a ter boca, a fazer as coisas sob pressão, a fazer mil coisas ao mesmo tempo! 
No início, eu tinha crises de choro. Eu ficava extremamente cansada, achava que não daria conta. Eu sentia falta de ficar em casa, com a Lou, ou simplesmente de dormir. Falta de sair com os meus amigos. De ficar sem fazer nada, ou lendo, ou no computador. Sei que no início, eu mal conversava com as pessoas, mas já esboçava risadas naquele DP. Foi só passar algumas semanas que eu fui me soltando, fazendo amizade com uns ou outros. Até o ponto de virar confidente de muitos- essa mania psicóloga de ser que sempre me persegue, antes mesmo de iniciar a graduação. 
Mas infelizmente nada dura para sempre e eu vi que o meu tempo de Unidda estava no fim. Eu não busquei sair de lá e isso falarei para sempre. A oportunidade veio até mim e se eu recusasse, com certeza me arrependeria até o fim da minha vida. Senti-me reconhecida, principalmente ao ouvir um a um quando comuniquei minha saída. Coisas como: "-Você é uma excelente profissional, fui pego de surpresa, você fará falta.", "-Você merece, já deu o que tinha que dar, aqui.", "-Obrigada por tudo...", "-Outra de você vai ser difícil encontrar..." e os mais diversos relatos que não quero e nem pretendo esquecer. E como eu precisava ouvir aquilo, daqueles que eu mais gostava e mais admirava! Fui feliz. Pura e simplesmente feliz. E se eu dissesse que não sinto falta de lá, estaria mentindo. Foi uma fase maravilhosa que eu quero me lembrar para todo o sempre. Boa sorte para quem continua e que eu encontre todos, ou a grande maioria, nesta estrada afora... 
Valeu, Unidda!

domingo, 28 de agosto de 2011

Para sempre.

Por noites intermináveis, por segredos e alegrias compartilhados, por planos feitos na madrugada, por horas (e que não foram poucas!) do meu dia gastas pensando em você, pensando em nós, por forçar seguir em frente, por fechar os olhos para o que acreditara não ser importante, ou, principalmente, ser coisa da minha cabeça, por fazer vista grossa a todas as mentiras contadas, uma a uma, e mais um leque de razões, eu retiro-me. Retiro-me, e tal qual a última vez, não será fácil, propriamente, dito. Será o mesmo martírio, a mesma dose da dor trucidante que é RE-tirar você da minha vida. Ora, se fosse para ser assim, não deveria ter voltado. Não deveria ter surgido das cinzas, quando eu já estava prestes a cicatrizar, quando não mais sentia a sua falta, quando conseguira, finalmente, respirar outros ares, conhecer a possibilidade de um novo horizonte, um novo sol a brilhar em meu céu... Não deveria. Não deveria ter-me dito, demonstrado que mudara, que estava disposto, comovido, não deveria. Não deveria. Não deveria.
Quero uma receita, mas parafraseando Leoni, "já ouvi cinqüenta receitas pra te esquecer (...) Eu queria manter cada corte em carne viva, a minha dor em eterna exposição..."
Não gosto do "Pra sempre". Pra sempre é sempre tempo demais, e falar por todo o tempo a frente é burrice. Uma hora ou outra, as reviravoltas da vida nos pregam peças, nos deixando com cara de tacho. Mas eu, pela última vez, quero, que você saia da minha vida. Para sempre!
Este é meu adeus. Não como o último. Este é definitivo. Este está doendo mais que o anterior. Este sinto-me incapaz de perdoar. Incapaz de te olhar do mesmo jeito, com o mesmo carinho e admiração.
Desta vez, para sempre, não te quero mais!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sorte e sucesso sempre!

A gente sente.
A gente não demonstra o quanto, na maioria das vezes. E ficar sabendo antes e nada poder dizer, por não poder realmente e por não saber como, trucida por dentro.
A gente quer que voltem atrás, a gente quer estar no lugar do outro, salvar, proteger...
E não adianta...
Dia após dia...
Você vai fazer falta. Nem sabe quanta. Saber que não vou ouvir sua voz quando toco no outro ramal e depois de falar, falar e falar você me perguntar: "Mas quem tá falando?"- e dar risada depois, me entristece.
Assim como ter perdido a melhor companhia de almoço até agora me faz querer jogar uma bomba em alguém. 
É com muito, mas muito mesmo, você nem imagina o quanto, pesar eu o vejo partir. E desejando da maneira mais sincera e pura que possa imaginar que você encontre um lugar bem melhor, onde possa ser reconhecido pelo que realmente é! Vou levar comigo sua sinceridade e saber que ainda existem pessoas assim hoje em dia. São raras, mas existem.
Sorte e sucesso SEMPRE! 

Dedico ao meu breve novo e ex amigo... V. M

domingo, 7 de agosto de 2011

Ciúme

Meu ciúme é insuportável, eu sei.
Ele me consome, me agride e me fere. Transborda-me de angústia e maus pensamentos, que são reponsáveis pela maioria de minhas péssimas atitudes.
Chega a ser arrogante, desleal e traiçoeiro.
E até então eu jurava ser a única atingida por ele. Pois na madrugada quem remoía, quem derramava lágrimas, quem se consumia perante cenas cruéis e imaginadas, até então, era eu. Jamais imaginara que fora ferido por algo tão podre e que, além de tudo, pertence a mim.
Por não ter a intenção, senti-me responsável por todo mal criado. Cada instante, cada briga...
Deu-se o fim, então, no qual a culpa me pertence.
E carregar este fardo, hoje, parece-me impossível...
Dor.
Tristeza.
Derrota.

sábado, 14 de maio de 2011

"Enquanto isso...

...no Lustre do Castelo..."


A gente finge que não sabe de nada. A gente faz vista grossa, porque afinal de contas, como já me foi dito uma, duas, dez vezes: essa raiva, esse ciúme não cabem nesse quadro. Não é sério, não é nada. É uma aventura. Ponto.
É o que dizem...
É o que digo a mim mesma...
Mas lá no fundo, pelo nó que sinto em minha garganta, não é SÓ isso.
Fico pensando se só eu sei das coisas, ou o outro lado também faz esta vista grossa que tanto me incomoda, tamanha cretina-sinceridade que possuo.
Infelizmente, enquanto mulherzinha que sou, cheguei no ponto do meu impasse. Aquele em que travo e, como Alice, tenho que escolher um dos caminhos em minha frente. Temo que aquele cachorrinho com o focinho de espanador apague e eu fique perdida, sim, juro que temo. Por outro lado, não quero seguir nenhum deles, já que ali na frente está tão escuro que eu não saberei onde estarei pisando... E retroceder me causa angústia. Então, nesses agradáveis 15ºC que está lá fora, congelo figura e literalmente. Por não saber o que ne aguarda, por não perder o que já tenho a dúvida da escolha permanecerá por ora... Não posso precisar por quanto tempo. Mas já é chegada a hora em que algo há de acontecer, um sinal, um gesto... Como está, não está bom.
Não pra mim.
E, além de mulherzinha, enquanto egoísta que EU sou, como você mesmo já me disse, é em mim que eu vou pensar.
Abrir mão do que já tive não será fácil, mas já passei por coisa pior... E em minha vasta experiência, sei que o quanto antes eu colocar o temido ponto final, será melhor para os dias que seguirão.
Vamos ver o que será dessa bagunça toda.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sonho Realizado.

2006. 
Desejo imenso de conseguir. Frustração ao final. Não foi dessa vez.
Tive, então, que assistir pela televisão. Chorando e me emocionando a cada música, a cada acorde.
Com o medo de eles nunca mais voltarem para cá. De nunca conseguir realizar este desejo, este sonho...

2010.
Finalzin do ano. Aquela loucura toda que até registrei aqui, da compra do ingresso. De passar 19 horas em uma fila, no frio, na chuva, gripada, sem voz, etc, etc, etc, para conseguir aquilo que eu tanto almejava. Missão cumprida. 

2011. 
09 de Abril. Sábado.
Um dos dias que mais esperei na minha vida. E olha que eu sou bastante ansiosa, para determinadas coisas. Mas se é que isto é possível, minha ansiedade teve seu ápice nestes últimos dias por conta deste maldito (ou bendito) dia 09. 
Ter chegado no Morumbi, visto a fila, visto tanta gente bonita, unidas ao mesmo propósito. Gente educada, também. E nunca começava. NUNCA. Aquelas últimas horas foram uma verdadeira eternidade, isso posso afirmar. 
É... as palavras faltam... 
Talvez porque até hoje eu ainda não consegui digerir a magnitude daquele show. Daquele momento. De tudo o que eu senti. Ainda não consegui elaborar e tenho muito medo de acabar esquecendo, bloqueando, por não conseguir trabalhar esta questão dentro de mim. Por isso venho tentado colocar em palavras, em vão. Mas para ao menos haver um registro, que faça com que eu me recorde caso venha a ocorrer algum lapso em minha memória, eu tento. 
O momento em que as luzes se apagaram, o som acabou e as pessoas começaram a gritar e eu sabia que o U2 entraria naquele palco gigantesco senti-me voando. Um frio na barriga, um arrepio, as coisas acontecendo rápido...Então minha reação foi gritar. E depois as lágrimas chegaram. Lágrimas e soluços. Eu não conseguia parar. Engraçado, quando eu fechava meus olhos, que pensava: "caralho, estou aqui!", eu chorava mais ainda. Cantei. Berrei. Pulei. Mais alto que todos ali, tenho certeza. Nunca aproveitei tanto um show na minha vida! Mas talvez pelo fato de nunca ter desejado tanto estar ali. Não tenho grandes sonhos, não tenho muitas metas. O show do U2 era um dos poucos, que ter realizado, faz-me sentir completa. A onda de felicidade que me invade ao relembrar é tanta, que vai ver é por isso que as palavras cretinas me faltam... eu que gosto tanto delas, odeio quando as mesmas somem. 
Então que este dia se eternize em minha vida, em meus sonhos, em minha memória. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores dias que já vivi!!!!




U2
360º TOUR
EU FUI!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Quarto Ano.



Há quatro anos atrás nascia uma pessoinha que mudou a minha vida por completo. 
Nos meus 19 anos eu ainda não tinha a noção do que seria aquele raio de Amor de Mãe que todos diziam. Um troço que aumenta a cada dia, que faz com que eu fale da minha filha a qualquer momento, que dê risada até a barriga doer das coisas mais simples que ela fala ou faz, que antes de qualquer coisa que me acontece, traz o meu pensamento àqueles olhos azuis- que são os mais lindos que já vi na vida!
E nunca tinha feito um aniversário, com caracterização e enfeitinhos. Deu trabalho, ah se deu! Mas foi gratificante vê-la feliz!  
Então hoje, não diferente do que digo aos meus mais queridos, mas com mais valor e ênfase: O Mundo está em Festa! O Meu Mundo, principalmente. Não poderia ser diferente. São os primeiros quatro anos que mudaram a minha vida, que me tornaram uma pessoa melhor e, sem sombra de dúvida, mais feliz!  
Parabéns, filha! 
Com todo amor que há dentro de mim e mais um pouco! 
Um beijo com gosto de brigadeiro! 


Eu simplesmente te amo! Te amo, te amo e te amo! 

** 

Escrito no dia do quarto aniversário da Lou, dia 27-03-2011.

domingo, 20 de março de 2011

Promete?

Promete me proteger? Promete cuidar de mim? Cuidar de mim como você já tem feito há tanto, mesmo quando eu não faço por merecer, quando desconfio que você tem outra ou que seu amor já não é o mesmo e você, pacientemente, ri divertido da minha cara, bagunça o meu cabelo e me diz todas aquelas coisas que me derrete toda, me deixando com cara de boba? 
Promete ter paciência quando eu começar meus monólogos sobre como mudar o mundo ou de onde viemos? Promete não rir do meu medo de ET´s ou de baratas e me levar a sério quando eu expor todos os motivos- que são altamente convincentes?
Promete que por mais que eu reclame da sua barba por fazer ou ria da sua mania de arrumação, enquanto continuo mantendo minha bagunça intacta que nem mesma eu entendo e me perco, você continuará me achando autêntica e relevar cada uma dessas reclamações?
Promete fazer vista grossa se por algum acaso eu estiver conversando com algum rapaz na porta da faculdade? -Afinal de contas eu não tenho olhos para mais ninguém, além de você.
E, acima de tudo, promete continuar me respeitando e me amando desta forma tão singela e única que faz com que eu me sinta a pessoa mais importante do mundo? Ora, não quero ser a pessoa mais importante do mundo, quero apenas ser suficientemente boa pra você.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Encontrando poesia

De alguma maneira,
sei lá por que cargas d´água,
tudo o que já me foi permitido
feriu-me.
Feriu-me, mas, principalmente, 
elucidou-me.
De formas simples e compostas
e conturbadas,
e complexas, 
e belas. 
Sempre tão belas!
A beleza que ali foi encontrada
se dá apenas sob os meus olhos, eu sei.
Pois mais encantadora que qualquer obra de arte,
a simplicidade que me foi ofertada,
sem eu nem ao menos pedir por ela,
é revigorante. 
Encontro magia e poesia
num mero reconhecimento 
de um afago,
de um abraço, 
de um sorriso.  
E enquanto houver sentido para mim
vou redescobrir cada gesto,
cada palavra, cada olhar
uma, duas, dez... 
ou quantas vezes me for possível.


**


Dia 14 de março.
Dia Nacional da Poesia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte VII)

"♪ Se você quiser alguém
pra ser só seu é só
não se esquecer:
Estarei aqui. ♫"
Eu Era um Lobisomem Juvenil.
Legião Urbana

Porque por você sou capaz de matar. E de morrer!
Em toda a minha independência, nunca gostei de títulos. Nunca gostei de chamá-lo de MEU. E nunca fui de ninguém, também. Isso sempre me parecera cafona. Tanto que era tachada de durona até minhas lembranças mais remotas. Mas de uma hora pra outra, nossa vida pode dar uma cambalhota. E de tão rápida, perder o equilíbrio é praticamente certo.  
Por certo tempo lutei. Lutei contra este turbilhão de sentimentos, tão difíceis de lidar. Que queimam a garganta e arrepiam toda a espinha. Que tomam conta da razão, dispensando-a, deixando claro que nada além desta brasa, deste fogo, importa. Foi em vão. Foi como tentar apagar um incêncido na Mata Atlântica usando baldadas de água. Ao invés de consequir tal feito, parecia estar alimentando as chamas, que debochavam da minha cara, divertidas e maldosas. 
Após tanta luta, joguei a toalha e levantei a bandeira. Agora eu quero e pretendo ter como aliado meu maior inimigo, o dono dos meus sonhos, o causador desta batalha interna que venho travado há tanto: Você.
Se você vier correndo, andando. Sorrindo ou chorando. Por você, sem nem pensar duas vezes, EU ESTAREI AQUI!

**

E é com um misto de alegria e uma sensação de "O que eu faço agora?" que termino a série "Eu Era Um Lobisomem Juvenil", que como sabem, foi inspirada na música da Legião Urbana, banda que ainda mantenho o mesmo entusiasmo que tive um dia -daí vem o meu ´Mariurbana´. Gostei de escrever uma ´série completa´. Não sei o porquê de ter terminado em sete partes, não há nenhum significado para tal. Pensei em fazer apenas 5, já que esta música se encontra no álbum " V " da banda, porém, a princípio, eu já tinha selecionado os trechos que dariam origem aos posts.
Não sei, também, se alguém acompanhou as postagens, acredito que não, ou pelo menos não com a empolgação que eu tive em escrevê-las, mas garanto que foram feitas com dedicação e alma. Minha alma se encontra nestas sete postagens. Cada uma delas teve algo de singular, de emoção particular. Que prefiro guardar comigo, embora em algumas é possível captar a que me refiro.
Obrigada pela paciência.
E que venham novas ´séries´ por aí!
=)

PS: Foto encontrada no http://abarcadopescador.blogspot.com

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte VI)

"♪ E daí de hoje em diante
todo dia vai ser
o dia mais importante. ♫ "
Eu Era Um Lobisomem Juvenil.
Legião Urbana


Com o perdão do clichê, viver cada dia como se fosse o último. Dar a ele a devida importância, o devido valor, pegar aquilo que irá aproveitar e descartar o restante. 
Levar consigo o que foi bom. O que foi mágico.
O Inesquecível.



**

Um Amor de Uma Noite.

Em meio tantos e todos, lá estava ele. Parado em frente ao bar, observando com os olhos que não pareciam perder um detalhe sequer. Despreocupado. Sua vida era aquele dia, aquele momento. Ele estava sozinho e isso não fazia a mínima diferença. Nem dei bola, nem dei importância. Queria continuar o meu dia, com as pessoas que ali estavam comigo.
Por algum motivo, num instante qualquer, ele esbarrou no meu copo. Pediu desculpa. E olhou dentro dos meus olhos. Desviei. Sorri. Fiquei sem graça. E ele não parou de me olhar. Passaram-se alguns segundos e ali estava ele, ainda me olhando, com um meio sorriso aos lábios e um olhar indecifrável. Abaixei a cabeça, mas levantei-a, então. E o encarei. Afinal de contas, quem é capaz de me olhar daquele jeito e por quê? Eu estava intrigada, confesso, mas talvez não fosse só esta a palavra. Eu estava admirada. Não era pela beleza, não era pela atitude. Havia algo a mais que não sei dizer, até hoje, o que era. Só sei que havia algo e eu não pude fugir.
Eu poderia detalhar o diálogo que veio em seguida. Mas não foi concreto o suficiente e muito menos poético. Este diálogo não foi importante, apesar de ter sido o primeiro. Porém não foi o último.
Em segundos, o meu mundo era ele. O meu dia era ele. Eu esquecera com quem estivera conversando há pouco, o que fazia ali, naquele bar e o  porquê viera. Só não esquecera o meu próprio nome, pois ele lembrava de tempos em tempos, de uma forma que ninguém jamais o pronunciara um dia.
Abriu seu coração. Despejou em cima de mim as histórias que mais machucam, só em pensar. Vi dor naqueles olhos e estava impotente à situação. Uma experiência de vida que jamais ouvira em lugar algum.  Queria protegê-lo, queria confortá-lo, dizer que tudo ficaria bem. Não o fiz, mas o abracei. Tornamo-nos um, os coraçãoes em sintonia, a respiração pesada e nossas vidas não mais seriam iguais. Não soube disso naquela hora, confesso, mas sou grata hoje por sabê-lo.
Houveram algumas conversas, amenindades, risadas e ele me tirou pra dançar. Eu já estava hipnotizada, dependente dele.
Não sabíamos nem o sobrenome um do outro, mas já tínhamos planos de namorarmos, de nos casarmos.
Tamanha simplicidade, tamanha singularidade e o desejo de conhecê-lo, desvendá-lo e devorá-lo já fazia parte de mim. Aquele toque em meu ombro, o beijo singelo em minha orelha e aquela voz de anjo cantando baixinho e confortante em meu ouvido fez meu mundo girar depressa. Foi então que eu soube e acredito, hoje em dia, que existe, sim, Amor à Primeira Vista.

**


Esta história não tem um fim. Ainda não. E o meu desejo mais profundo é que não tenha.
O que afirmo é: Este dia foi mais que qualquer outro. O mais importante. Surreal. Que descrevo até mesmo como digno de um Conto de Fadas. E já está eternizado em minha memória.


"♪ Se o coração chora
Chora com vontade de te ver
Chora com saudade de você
Chora às vezes eu nem sei porque
Deve ser de tanto te querer
Iêêê...
De tanto amar você. ♫"

De Tanto Te Querer
Jorge e Mateus.


Dedico a F.C. , por ser uma das pessoas mais incríveis que já cruzou o meu caminho.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte V)

"♪ Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo...♫ "
Eu Era Um Lobisomem Juvenil
Legião Urbana.

Um banho de água fria.
Tudo bem que no calor é refrescante. Mas a gente tem que estar esperando, né? Na surpresa, no susto, nem se estivéssemos no deserto seria bom. Porque tem o tal do choque térmico...
Choque.
Chocada.
Abismada.
Passada.
Sem chão...
E aí o que fazer com uma saudade latente há seis meses? Uns planos bobinhos, que não deixam de ser planos? Com aquele abraço que estava guardado há tanto e não foi dado a ninguém neste meio tempo? Com tantas conversas e tantas promessas não cumpridas? Jogo fora? Ignoro? Continuo guardando, mesmo sem haver espaço?
Toda força latente tende a explodir, a se expandir.
Mas já não há lugar, nem ocasião e muito menos clima. Um fato, um único fato, uma frase e aquilo que eu achava mais puro, que achei uma gracinha um dia, que dava risada e relevava já não mais existe.
E todo fim me machuca tanto... Odeio começos, com toda a minha alma, mas simplesmente não sei lidar com O Fim.
Por mais que não houve um começo. Por mais que só foram borrões. Por mais que foi conturbado, bagunçado e até engraçado, foi alguma coisa. E foi bom.
Então é com lágrimas, e não poucas, que tento organizar cada idéia, cada pedaço dentro de mim, já que o estrago foi feito sem nem ao menos eu perceber ou saber por quê.
A palavra certa é luto.
Por sorte eu vivo, sim, o meu luto. Como nunca deixei de viver absolutamente nada em minha vida. Mas eu me reergo sem pestanejar. Não com facilidade, e sim, com sabedoria. Ou pelo menos o julgo.

"♪ Vá com os Anjos. Vá em paz. ♫ "

(#NowPlaying: Gladiador. Não poderia ser diferente...)


**

E as coisas acontecem em nossas vidas sem nem ao menos percebermos ou nos prepararmos.
Então... lidar é melhor que fugir. A dor existe, sim, mas como veio... ela vai. É a minha única certeza! ;)

PS: Este post saiu no Fotolog e julguei que se encaixaria aqui. Peço licença que o compreendam. Foi escrito na mais singela lembrança que guardo - ou guardava?- comigo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"♪ A conta da saudade...

"...quem é que paga?♫"
(Fernando Anitelli)





*Começo aqui pedindo licença para ter usado tais palavras. Não são minhas, não as moldei e não as coloquei para secar, juntas. Comprei-as. Ou peguei-as emprestadas. Mas não são minhas.*

Tenho saudade. De uma forma mais simples do que se possa imaginar, do que se possa pensar um dia. Saudade de ligar, de dar um abraço, esmagando e quebrando todos os ossos. De contar como foi o meu dia, de querer ouvir como foi o seu.
A saudade que sinto me corrói por dentro. E não sei como lidar, se devo acabar com ela.
A indecisão nunca fez parte de mim, ou pelo menos foi o que sempre pensei. Este medo, este frio na barriga não me pertencem, não os quero, pegue-os para você!
Minha maior vontade é juntar estes sintomas, estes martírios e atirá-los para longe, em uma lata de lixo velha e abandonada. É lá que deveriam ficar. Junto com esta saudade, que insiste em aparecer em minhas palavras. Que vem sem nem ao menos ser convidada, como se este lugar- o meu lugar- a ela pertencesse. Que invade meus pensamentos, quando estou de guarda baixa. Que toma conta dos meus sonhos, transformando-os em pesadelos. Não quero senti-la e não sei como exterminá-la. Tenho minhas mãos atadas e isto dói. Melhor seria se viesse o pranto, de uma vez. Que não me fechasse a garganta, não apertasse o meu coração, não me impedisse de ser quem eu sou.
Assim que me for possível, que as circunstâncias tornarem viável e que eu tenha adquirido a arma certa, confesso:
Eu vou matar a saudade! Vou matar. Sem dó ou piedade. Acabar com ela, cortar-lhe os membros, cortar-lhe a cabeça. Ela não vai mais me assombrar.
E é a única promessa que eu faço. Sem o medo de ser pega ou ter de pagar pelo crime. Este alívio será maior que qualquer castigo:
A morte daquela que me mata.
Que me mata a cada dia...



***

Interrompemos a série "Eu Era um Lobisomem Juvenil", por nenhum motivo grave, mas a necessidade de postar este por aqui.
Fiz este para o Facebook, mas não acredito que ele tenha algum acesso por lá. Ou pelo menos não na quantidade que tem, aqui no blog.
Espero que gostem.
Obrigada. ;D

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte IV)

"♪ Teve torcida gritando, quando a luz voltou...♫ "
Eu Era um Lobisomem Juvenil
Legião Urbana

Ganhar no campeonato de Bola de Gude. Fechar o Super Mário. Vencer os Interclasses. Ser surpreendido no Natal com o brinquedo mais legal do mundo. Conhecer o seu grande amor. Passar no Vestibular. Gritar ´GOL´ na Copa do Mundo. Mudar-se para a cidade grande. Conquistar aquela vaga sonhada por tantos anos. Baile de Formatura. Comprar o primeiro carro. O ´SIM´ no casamento. Nascimento do primeiro filho...
As torcidas, os sonhos, os almejos, as vitórias...
Aquela sensação única que invade nosso ser, acelera o coração, traz aquele arrepio que vai da nuca aos pés, não esquecendo de enfiar um gancho no estômago, atravessando-nos as entranhas e originando uma falta de ar. As lágrimas brotam, tímidas, nos olhos hesitantes até transformarem-se em enxurradas. Caem, uma a uma, duas a duas, lavando todo o rosto.
O sorriso permanece intacto, intocável e maravilhado com a maravilha da emoção: este conjunto louco de sensações inexplicáveis e incoerentes, pelas quais aprendemosa lutar e, principalmente, senti-las desde antes mesmo de aprendermos a falar. 
Que cada comemoração seja única e vivida intensamente, como se nada além disso existisse no mundo inteiro!

***

Texto escrito em sala de aula. Pela ansiedade de ter a minha série bloguística completa. E pela esperança de que uma grande emoção esteja prestes a me dar a honra com todos estes sintomas (ou seriam dádivas?).
Imagem encontrada no Google, nosso salvador para todas as horas.
 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte III)

"♪ Não digo nada
Espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou
Me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado
Por estar
Tão preocupado assim...♫ "

Eu era um Lobisomem Juvenil
Legião Urbana


I-
E uma hora ou outra, o vendaval vai passar ("♪ nessa avenida um samba popular, cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar ♫"). Por mais que a dor seja trucidante; por mais que pareça eterna e o coração esteja sangrando; por mais que os caminhos em frente pareçam sombrios e arriscados... O vendaval passa. Uma hora qualquer, ele passa! E por enfrentar aquilo que julgou mais difícil, quiçá impossível, em seus pensamentos, poderá perceber, ao fim da jornada, quão forte ficou. É tão gratificante... Superação, vitória pessoal. 
É hora de ver o estrago causado e reconstruir, pedra sobre pedra, cimento, reboque, lixar, uma demão de tinta, outra, então. Toque final, pendurar um quadro na parede.
E começar tudo de novo!
Que esta estrutura esteja mais forte, tal qual uma obra do Prático e nenhum lobo destruirá nem mesmo bufando ou soprando.

 ;)


II-
Já as preocupações tendem a nos podar. Limitar-nos, extorquir-nos. Sugar-nos nossa Paz de Espírito sem nem dar-nos explicação alguma. Por alguma preocupação, acumulamos sem perceber, os medos. Um a um, vão somando, sorrateiros, até virarem uma avalanche. E ninguém consegue parar a força e a fúria de uma avalanche. Nada nem ninguém! Ela faz estrago, varre tudo o que foi construído com tanto cuidado e capricho. 
Não ter preocupação alguma é extremo ou até sinal de loucura. Principalmente porque elas são necessárias para a sobrevivência. Vêm junto com a inteligência, desde os tempos mais primórdios. Graças às preocupações com segurança, moradia, alimentação, fogo, vencemos obstáculos e inimigos para, então, resistirmos. Ah, a seleção natural!
O meio termo é o canal. Sempre é. O equilíbrio me encanta, em tudo e em todos. E em mim. Para estar em harmonia, o equilíbrio deve prevalecer. 
Estou me preocupando por estar preocupada demais, parafraseando Renato Russo?
É possível. 
Mas não aceitável. 
O que fazer, para mudar, então?

***

Renato Russo, Legião Urbana, continua me inspirando.
A série "Eu Era Um Lobisomem Juvenil" ainda não terminou, há outros trechos selecionados que serão trabalhados.
Aguardem. =)
E obrigada por lerem.

Esta foto, diferente das outras duas anteriores desta ´Série´, não é minha, porém não encontrei o nome do fotógrafo. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil."
(Parte II)

"♪ Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito.
E você estava esperando voar.
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão?  ♫"
Eu Era um Lobisomem Juvenil.
Legião Urbana.


Desejava com toda a força que emanava de mim, com toda a confiança que me foi depositada, com todo fervor que estava pra vir à tona, a qualquer momento, ser capaz de chegar até as nuvens. Não me importaria com o método que seria utilizado para tal feito e muito menos se tantos julgam uma tarefa impossível. Cheguei até as nuvens, de olhos bem abertos, não perdi nenhum segundo de êxtase, tomando conta de mim.
Tive o sonho de ali chegar, desprovida de medos e lamúrias, de qualquer preocupação que poderia turvar-me os olhos e simplesmente sorri. Olhei para cima e vi aquela imensidão azul tão próxima, olhei para baixo e nada consegui distinguir daquele mesclado de azul e branco, que em alguns momentos até poderia ser confundido com algodão doce.
Os pássaros voavam abaixo de mim, despreocupados, sem nem notarem a minha presença, de forma que aquele cenário me pertencia, como se nunca houvera sido diferente. E num piscar de olhos, bati minhas asas e mergulhei junto a eles, num pega-pega sem pressa ou competição. Até todos voarem juntos, rumando para baixo, para alguma árvore, não sei. Para onde vão os pássaros, ao anoitecer?
Estou só.
Avisto, em meio aquele cenário que mais parece a pintura de um quadro, algumas nuvens se agitando de forma estranha. Uma brisa suave, um perfume sem igual -se a vida tivesse cheiro, com certeza seria este. E uma sensação única, indescritível. Fico tentada a dar meia volta, mas algo chama minha atenção. Sinto-me hipnotizada. Depois de me concentrar, e ainda assim com muito esforço, vejo um par de olhos a me encarar. Tão verdes, tão misteriosos. Eles piscam, os meus vacilam. Mas vou ao seu encontro. O dono dos olhos se vira, exibindo um par de longas asas negras e se vai, batendo-as num ritmo desenfreado que parece música. Sigo-o sem pestanejar, porque estar em contato, tocá-lo tornara-se o meu objetivo. A razão pela qual eu estava ali, no meio daquelas nuvens. A razão pela qual eu existia e nada poderia ser diferente.
Se em alguma fase de minha vida eu não acreditei em destino, neste momento senti-me completamente enganada. O meu destino era encontrá-lo, minha felicidade estava nele. Ele me complementaria e esta é a única certeza que tive na vida. Um mundo paralelo fez-se, então. No qual os únicos habitantes éramos nós, no qual não havia lamúria, não havia tristeza, não havia maldade. Apenas a pureza daquele olhar, daquele contato que sufocava-me e se eu estivesse com os pés no chão, e não nas nuvens, de certo que minhas pernas estariam bambas, colocando-me à mercê de uma queda iminente.
A euforia era tanta, que o simples fato de estar ali em cima, em contato com ele, em contato com algo tão grandioso que jamais supus que poderia acontecer, além de um sonho, trazia-me ora torpor, ora adrenalina.e perdi os sentidos.
Caio.
A altura é imensa.
Algo está errado, o que está acontecendo?
A multidão curiosa começa a aumentar, ao meu redor.
Não consigo bater as asas, não consigo me mexer.
A respiração está se tornando difícil, assim como manter os olhos abertos.
E dentre tantos rostos disformes ali presentes, é apenas um que reconheço.
"-Sabia que você não me abandonaria."
E fecho meus olhos.
Para sempre.
Com a certeza de que morrer de amor, não dói.

***
Gostei, MUITO, do resultado deste.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Da série: "Eu Era Um Lobisomem Juvenil.
(Parte I)"

"♪ O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo.
Vai, vem embora, volta.
Todos têm, todos têm
suas próprias razões... ♫"
Eu Era um Lobisomem Juvenil
Legião Urbana.

Razões pelas quais fugimos, pelas quais corremos, pelas quais enfrentamos e matamos dragões. Razões pelas quais as lágrimas brotam ali, embaixo dos olhos, sem nem ao menos querermos, sem nem ao menos percebermos e caem, não pedindo licença e nem fazendo cerimônia.
Temos razões que jamais entenderemos, que fazem o coração acelerar, um arrepio percorrer dos pés à nuca, um sorriso bestial tomar conta de nossos lábios, de nosso rosto, transparecendo a nossa verdade. E há razões para não escondê-la, assim como há mais razões ainda para deixá-la ali, no desconhecido, preservando-a. Ora, de certa forma, a verdade, por mais sincera que seja, merece o anonimato, merece ser deleitada, apreciada na surdina; escancará-la faz com que a mesma se perca de sua essência, se corrompa de alguma forma. 


Preferi, usando alguma razão, trancá-la e já joguei a chave fora. 




***


De uma foto de um arco-íris, pensei no trecho "O Arco-Íris tem Sete Cores", do Legião.
Veio o texto, após o verso "Todos tem suas próprias razões." de forma automática, sem eu nem ao menos pensar nas palavras.
E ouvindo a música, então, novos versos chamaram a minha atenção. E no decorrer dos dias, irei postando a continuação da série citada acima.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Adeus Ano Velho..."

E posso me lembrar, como se fosse ontem, um Ano Novo há algum tempo atrás. Eu deveria ter meus cinco anos de idade e por ter medo de qualquer barulho, jamais assistia a uma queima de fogos, assim que a meia noite chegasse. Os adultos da casa deviam me xingar de todos os nomes possíveis e imagináveis, tenho certeza, pois se revezavam entre eles. Algum deles teria que ficar comigo, na cozinha, ou no quarto, para evitar um choro efusivo seguido de um possível piripaque de minha parte. Neste dia não foi diferente. Enquanto eu estava aos prantos e o barulho ensurdecedor lá fora adentrava minha casa, eu pensava comigo mesma: "Coitado do Ano Velho! O que acontecerá com ele? Para onde ele vai? Todo mundo só quer saber do Ano Novo, só fala disso, só se preocupa com isso. E o Ano Velho tá indo embora. Como se estivesse doente, prestes a morrer. COITADO DO ANO VELHO. Eu não quero que ele vá. Não quero nenhum Ano Novo, estranho e NOVO. NÃO QUERO." Acredito que o meu monólogo tenha durado mais do que estas poucas palavras, sempre fui um tanto repetitiva. 
Mas esta virada de ano fiquei pensativa e me lembrei dos meus cinco anos. Querendo saber o que acontecerá, realmente, com o Ano Velho. 
Não apóio cuspir no prato que se come. Valorizo toda e qualquer pessoa, todo e qualquer acontecimento. E por que deveria ser diferente com um ano recheado de coisas boas, acontecimentos, aprendizados?
Aplaudo 2010 de pé, sabe? E desejo, do fundo do meu coração, que ele tenha apenas se aposentado. Que esteja neste momento em alguma Ilha do Caribe, catando conchinhas na areia, comendo uma batata fria, tomando uma cerveja bem gelada e rindo da cara de 2011, que ainda tem tanta coisa difícil para enfrentar. 
Tantas lamúrias, falta de grana, agüentar as promessas que não serão cumpridas e o pior de tudo: Anteceder 2012, que acredito que dará muito falatório por ser o fim do mundo. Ah, o fim do mundo. Se ao menos quem inventasse isso fosse um doido qualquer...
Então, peço licença a Marcelo Rubens Paiva e utilizo o título de seu livro aqui, para finalizar este post. 


A todos vocês:




"Feliz Ano Velho!"